
Boston

A fonte da juventude
Uma das maiores dificuldades para OS seres humanos reside na aceitação DA morte como uma realidade DA vida. A primeira coisa que fazemos ao abrirmos nossos olhos para O mundo é disparar O cronômetro que marca a contagem regressiva para nossa morte. Pensar que um dia nós, bem como todas as pessoas que amamos, morreremos, está longe de ser algo atraente. A vida passa muito rápido e quando nos damos conta já está chegando a “nossa hora”. Parafraseando Woody Allen: “Não que eu tenha medo de morrer. Eu só não queria estar lá quando isso acontecesse”. Não existe concordância entre OS cientistas a respeito DA duração DA vida humana. Alguns acreditam que estamos programados para viver um período específico e O máximo que podemos fazer é criar condições que nos permitam vivê-lo em sua plenitude. Outros acreditam que não existe programação genética e existe a possibilidade de estendermos nosso período de vida indefinitivamente. Apesar dos estudos demográficos demonstrarem um aumento exponencial de pessoas atingindo OS 100 anos, estima-se que atualmente existam no mundo cerca de apenas 300 pessoas Com idade igual ou superior a 110 anos. Uma boa parte dos gerontologistas acredita que, Com um somatório de condições favoráveis, O ser humano poderia estender a duração de sua vida até OS 120 anos de idade. Esta busca pela fonte DA juventude gerou um número incontável de receitas e tratamentos milagrosos desenvolvidos para prolongar a vida ou para ter “aquele rostinho de 20” aos cinqüenta anos. A verdade é que estamos começando a desvendar a gama de fatores que fazem O nosso corpo envelhecer e são raras as evidências científicas de tratamentos que podem retardar a velhice. Estudos apontam para um papel importante dos radicais livres no processo de envelhecimento. Camundongos alterados geneticamente para super expressão de uma enzima, que é responsável pela eliminação dos radicais livres (catalase) possuem uma expectativa de vida 20% maior que OS animais normais. Adicionalmente, existem evidências de que uma dieta pobre em calorias pode aumentar significativamente a expectativa de vida em diferentes organismos, tais como primatas, roedores, insetos e peixes. Um artigo recente publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA, Vol. 295 nº 13, April 5, 2006) investigou a restrição no consumo de calorias diárias associada ou não Com exercício físico, num grupo de 48 voluntários sedentários e acima do peso, mas não obesos. Os resultados indicaram uma diminuição significativa de dois biomarcadores de longevidade (níveis de insulina de jejum e temperatura corporal), sugerindo uma redução do metabolismo corporal que pode estar relacionada Com O processo de envelhecimento. Contudo, OS autores enfatizam a necessidade de estudos de longa duração para comprovar O potencial benefício DA restrição calórica no aumento DA expectativa de vida humana. A única certeza que se tem é que ter um estilo de vida saudável, balanço entre vida pessoal e profissional, dedicar um bom tempo ao lazer e aos relacionamentos promovem uma boa qualidade de vida e uma boa vida é O que interessa, não importa quantas rugas você tenha ou quantos anos você viva.
by Luiz E. Henkes
Publicado no Diário do Rio Doce em 04/01/2007

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