
A Terra ninguém engana!
O Relatório “Situação das Florestas do Mundo” da Organização para Agricultura e Alimentos das Nações Unidas (State of the World’s Forest - FAO) publicado no dia 13 de março de 2007 traz boas notícias para o planeta e gera um constrangimento para o Brasil. A boa notícia é que várias regiões do mundo têm apresentado redução no desmatamento e aumento da área florestal. Mais de 100 países já possuem programas nacionais de preservação, uso e manejo de florestas. Políticas têm sido implementadas com enfoque na conservação do solo, da água e da diversidade biológica, mas, infelizmente, os países pobres ainda são os com maiores dificuldades de avançar nessas áreas. Aproximadamente 30% da superfície terrestre seca é coberta por florestas, computando cerca de 4 bilhões de hectares. Contudo, de acordo com o relatório da FAO, só de 1990 até 2005 houve uma perda de cerca de 3% desta área. Apesar de no período de 2000 a 2005 cinqüenta e sete países terem apresentado um aumento na área florestal, cerca de 83 apresentaram uma diminuição e esta representou um total de 7.3 milhões de hectares ou 20 mil hectares por dia. Os líderes da parte ruim da estatística estão entre os 10 países que possuem 80% das florestas primárias mundiais e o “Oscar” de maiores destruidores de florestas vai para a Indonésia, México, Papua Nova Guiné e Brasil. Isso não significa que devamos crucificar o Brasil, afinal de contas, desde 1988 a situação melhorou muito. Há que se considerar que cerca da metade das florestas reservadas para conservação permanente na América Latina e Caribe estão no Brasil e consistem numa área nada desprezível, cerca de 271 milhões de hectares. Num artigo publicado no “Estado de São Paulo” em 17 de janeiro (http://www.desmatamento.cnpm.embrapa.br/) o pesquisador da Embrapa, Dr. Evaristo E. de Miranda, defende os méritos do Brasil na preservação das florestas nativas. Segundo o pesquisador, há 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais e hoje, o País detém 28,3%. O País ainda possui cerca de 69,4% de suas florestas primitivas. Não pretendo contestar tais dados, uma vez que não tenho conhecimento de causa, mas me atrevo a dar uma opinião por conhecimento de fato. Proporcionalmente o Brasil desmatou pouco e certamente não pode ser taxado como o único vilão da história. Não obstante, precisa fazer uma mea-culpa, pois ainda tem um longo caminho a seguir para ser considerado um país que realmente defende e preserva sua natureza. Os recursos naturais brasileiros são incomparáveis. O Pantanal, o cerrado, a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica e tantos outros ecossistemas são únicos e devem ser tratados com o devido respeito. Não podem estar sujeitos aos humores de políticos oportunistas e empresários inescrupulosos. A expansão das fronteiras agrícolas deve ser feita de modo responsável ao mesmo tempo que a criação de áreas para reflorestamento deve ser incentivada e não pautada em interesses particulares de facções políticas radicais e inconseqüentes. Como diria meu sábio pai Ernani Henkes, agricultor por paixão e profissão: “A terra ninguém engana!”
By Luiz E. Henkes
Publicado no Diário do Rio Doce em 15 de Março de 2007

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